Mães e pais também devem aprender sobre a ABA?

A terapia baseada em ABA, que é a sigla de Applied Behavior Analisys, em português Análise do Comportamento Aplicada, é hoje um dos tratamentos mais utilizados para pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Ela busca ampliar comportamentos, interesses e habilidades que sejam socialmente relevantes para a pessoa autista e diminuir aqueles que podem ser prejudiciais para o seu desenvolvimento, aprendizagem e interação social.

Para isso, ela basicamente analisa os comportamentos, destrinchando o que acontece antes e o que acontece depois do comportamento escolhido que está fazendo com que ele ocorra novamente. Parece simples, mas à medida que estudamos percebemos que é bastante complexo, por uma série de razões como a própria evolução da ABA aplicada ao TEA, que exige respeito fundamental aos interesses dos seus clientes, que não são as mães e pais, mas sim a pessoa autista.

Dessa forma, hoje em dia não se admite o uso de práticas aversivas, ou uma aplicação automática, e prevalece a análise das contingências ou contextos do comportamento e do que é relevante e interessante para aquela criança ou adolescente autista.

No mundo ideal, a ABA deveria ser aplicada por uma equipe multidisciplinar, capacitada para aplicá-la ao TEA, entre os quais se destacam as aplicadoras e aplicadores terapêuticos de ABA, supervisionadas por uma analista do comportamento especializada em ABA, geralmente uma psicóloga, além de fono, terapeuta ocupacional especializado em integração sensorial, pedagoga, fisioterapeuta, musicoterapeuta, educador físico, psicomotricista e a lista se estende de acordo com as necessidades individuais de cada pessoa. 

Mas mesmo tendo acesso a uma equipe tão extensa, é aconselhável que as mães e os pais também aprendam sobre a ABA?

Sim.

Alguns motivos são:

Compreender a intervenção que é bastante complexa, assim como os indivíduos são complexos. Parece uma coisa óbvia, mas boa parte da minha dificuldade no início da terapia do meu filho era compreender o que os profissionais diziam, o porquê dos procedimentos e a importância de segui-los ou ainda de expressar claramente minha impossibilidade de seguir com aquelas recomendações, para que eles pudessem reestruturar o plano deles. 

Ter clareza dos objetivos de cada procedimento. Por que estimular a imitação é uma habilidade importante? Porque nós humanos aprendemos muito por imitação. Agora se você só ficar pedindo imitações de forma automática, você pode ter a sensação de que está adestrando sua criança e definitivamente, não é esse o objetivo.

Multiplicar o ensino em infinitas oportunidades cotidianas, tanto para a continuação do aprendizado em casa, quanto para orientar outras pessoas como familiares e cuidadores.

Ter mais autonomia para identificar e lidar com momentos de comportamentos difíceis, que geralmente acontecem por falta de habilidade de comunicação da criança e se agrava pela falta de habilidade dos cuidadores em compreender o comportamento e manejá-lo de forma respeitosa.

Entender a abordagem feita pelos profissionais, conseguindo analisar se as técnicas e escolhas terapêuticas estão atualizadas e se são aplicadas de forma ética, prevenindo a exposição da sua criança a práticas aversivas e abusos.  

Na prática diversos outros benefícios podem ser observados quando mães e pais adquirem conhecimento sobre a ABA, mas você pode estar pensando: “fala sério, eu vou ter que estudar pra cuidar da minha criança? Os profissionais não deviam fazer esse trabalho?”

No mundo contemporâneo não são apenas os pais de filhos atípicos que são desafiados pela falta de “conhecimento” sobre como cuidar dos filhos. O mundo e a cultura estão profundamente diferentes. Os referenciais educacionais que a maioria das pessoas tem da própria infância e educação não dão conta dos desafios de formação humana atuais. Além disso, o ensino de uma criança não se encerra na sessão terapêutica, pelo contrário, deve ser impulsionada dali para os outros ambientes de vida da criança, abarcando o restante do tempo que ela passa em casa e na escola.

Some a tudo isso o fato de que esse conhecimento irá ampliar seus horizontes para a interação humana, muito além da sua criança. Conforme você aprende sobre a ABA, você começa a perceber diversos contextos aos quais esses conhecimentos podem ser aplicados, seja na sua própria rotina, seja no seu ambiente de trabalho com seus colegas, com seu chefe ou com sua equipe. Permita-se essa chance de aprender sobre a ABA. O mínimo que pode acontecer é você ter mais conhecimento.

Por Marcia Pedralino
Publicitária, mestre em comunicação, mãe de 3, 1 deles autista. Por causa dele, fundadora da Adapte.

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