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Ciência e Emoção

notícias Sep 14, 2020

Esse foi o contexto do I Seminário de Neurologia do Autismo 2020 que conseguiu equilibrar com maestria as conquistas, dores, descobertas e esperanças do mundo do autismo.

Realizado pelas ativistas Michela Caron e Grazi Gadia do EyeContact nos últimos dias 12 e 13 de setembro, o evento reuniu junto aos maiores especialistas brasileiros da neurologia, psiquiatria, pediatria, neuropsicologia, uma das mais reconhecidas personalidades do mundo do autismo, a doutora em psicologia animal e autista, Temple Grandin, falando sobre diagnóstico, tratamento e perspectivas de vida para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). 

O evento também deu voz a pais como o pediatra Dr. Thiago Castro e a jornalista Andrea Werner e para outros autistas como o médico Dr. Enã Rezende e a artista e designer Jessy Blue.
Destaque para as iniciativas de atendimento público apresentada pela psiquiatra Dra. Daniela Bordini do Ambulatório de Cognição Social Marcos Mercadante, da Unifesp, que apresentou o programa de Orientação Familiar para os Transtornos do Espectro do Autismo. O programa consiste em uma série de 20 vídeos de curta duração disponíveis no YouTube que orientam pais a aplicarem técnicas da análise do comportamento aplicada (ABA) para desenvolver habilidades básicas nos filhos como contato visual, atenção compartilhada e manejo de comportamentos difíceis. Com uma prevalência de um caso para cada 51 crianças, graças aos avanços diagnósticos realizados nos últimos anos, o autismo vem se afirmando como um problema de saúde pública, considerando a crescente demanda de pessoas diagnosticadas, à necessidade de intervenção intensiva e multidisciplinar, inexistente na maioria dos casos em um país de dimensões continentais e com sistema público de saúde insuficiente.


Em tempos de pandemia o seminário foi totalmente online agregando ao público da comunidade acadêmica da área da saúde, famílias do Brasil e de outros países do mundo, que de suas casas puderam ter acesso a pesquisas de ponta sobre o diagnóstico e tratamento do TEA.
Além das evidências científicas que seguramente devem nortear os tratamentos de TEA, a necessidade de adoção de políticas públicas que democratizem o acesso ao tratamento adequado, a necessidade de engajamento da família e social no cuidado e criação das crianças, a necessidade de atenção aos cuidadores, especialmente as mães tão sobrecarregadas no processo terapêutico e finalmente a necessidade de pensar a qualidade de vida digna e produtiva para os autistas mais graves na fase adulta e na velhice foram insights compartilhados e semeados para futuras discussões.

Embora fosse um evento de caráter mais científico, ao final de cada palestra, quando os convidados respondiam ao vivo perguntas do público que acompanhava o evento, a emoção ficava aparente nos agradecimentos que de forma unânime ressaltavam o engajamento do casal Grazi e Carlos Gadia na realização do evento. Especialmente porque recentemente, neuropediatra radicado em Miami chegou a ter que ser internado após contrair o coronavírus, enquanto sua esposa Grazi, que também contraiu a doença, teve que ficar sozinha em casa. Felizmente, para a comunidade de profissionais e familiares ligados ao TEA, a tensão e incerteza da covid19 deram lugar a um dos melhores eventos sobre TEA no Brasil neste tão atípico ano de 2020.

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